
Depois do dia de ontem, hoje acordei muito bem.
Nada de enjôos, de calafrios ou de tremeliques.
Bye-bye depressão. Estou de volta e quero ir a casa.
Depois da visita desta manhã (um pouco mais furtiva que o habitual) o Dr.Ângelo foi para as consultas e ainda não voltou para me dar alta.
São 2 horas da tarde, estou impaciente e ainda não sei se vou ou não.
Pedi ao João para esperar (ele costuma ficar aqui durante a hora do almoço) para me poder levar e não ter de voltar cá mais tarde.
...
O tempo passa e nada de Dr. Ângelo. A enfermeira Virgínia disse que vai tentar falar com ele por telefone.
Estou ainda de pijama. Só posso vestir a minha roupa depois de ter a certeza que vou embora. Entretanto o João tem mesmo de ir. Estou bastante ansiosa. Sinto-me como um passarinho á espera que abram a porta da gaiola.
...
São 4 horas da tarde e finalmente vejo o Dr. Ângelo chegando. Sorri e pergunta: "Então eu não disse que ia hoje a casa?" Se eu não gostasse tanto deste médico e tivesse forças, acho que o estrangulava aqui mesmo e agora.
Não há tempo a perder: telefonar ao João -"Vem depressa, não vá alguém mudar de ideias!"- receber instruções valiosíssimas quanto ao que fazer em casa - mais propriamente, quanto ao que NÃO fazer em casa - receber medicação, etc., etc.
Nem quero perder tempo a vestir-me. Vou mesmo de pijama e roupão. Entramos pela garagem.
"Por favor, João, tira-me daqui depressa"
Mas quem foi que disse que eu consigo subir 4 degraus sozinha e depressa? Onde estão as minhas pernas? Estas não são minhas. Não me obedecem!! Socorro!
Pequena (grande!) viagem no elevador.
A minha casa finalmente. Obrigada, meu Deus!
O nosso cheiro traz-me todas as recordações. Duas lágrimas de alegria teimam em rolar cara abaixo. O meu sofá.
Aqui eu sou mais eu. Aqui já existe nós outra vez.