Esta é a minha guerra



Uma célula tresloucada
Duas células,
cem,
mil.
Na revolta
geneticamente transformada
em frustração e
Em doença odiada.

Tantas células,
Milhões de células.
Brancas, vermelhas, sei lá!
Incontroláveis milhões,
Que me minam e dominam já,
Que tomam conta de mim.

Tomam conta do meu sangue,
Da minha pele,
Dos meus cabelos,
Do meu corpo.
Só me sobra a minha mente.
Essa é preservada, sim!

Esgravato com as minhas unhas
(enquanto elas não me caem)
Afastando o escuro medo,
Que eu não quero chamar meu.
Esgravato até encontrar um rio,
Um riacho,
Um fiozinho,
Uma gota de sossego.

E ainda que o corpo me falhe,
Mesmo assim, ainda sou eu.

Um monte de ossos e carne,
Um charco de sangue inquinado,
Duas pernas e dois braços
E um coração no meio.

Na minha cabeça, nua,
Amadurecem os meios
De combater, de lutar
Todos os medos, todos os receios.

E enquanto a pele cai,
A minha armadura cresce
Endurece,
Amadurece
E permanece.

E de mão dada com Deus
Firmemente, ardendo em fé
Vou indo,
Pé ante pé
E chego ao momento meu
Gritando com esta pena:
"Esta guerra, venço eu!"

5 comentários:

susana disse...

Qualquer um pode carregar o seu fardo, embora pesado, até anoitecer. Qualquer um pode fazer seu trabalho, embora árduo, por um dia. Qualquer um pode viver mansamente, pacientemente, amistosamente, até que o Sol se ponha. E isso é o que realmente a vida requer.
A vida revela-se ao mundo como uma alegria. Há alegria no jogo eternamente variado dos seus matizes, na música das suas vozes, na dança dos seus movimentos. A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano.

Anónimo disse...

Em 11 de Dezembro de 2007 foi-me diagnosticado um Mieloma Múltiplo. hoje em 28 de Novembro mantenho a mesma esperança na qualidade dos médicos que me tratam. A doença neste momento está controlada.
Fé só nos familiares, amigos e nos profissionais de saúde.
Desejo-lhe tudo o que pedir.
http://www.apll.org/teste/index.php?option=com_content&task=view&id=85&Itemid=64

Abraço,
Carlos Oliveira

Abigail Macedo disse...

Olá Carlos,

Obrigada pelo comentário honesto. Respeito muito todos aqueles que têm a coragem de dizer o que pensam, mesmo que a minha perspectiva das coisas seja tomada pelo ângulo oposto.

Desejo para si o mesmo que para mim: que a doença continue controlada até que seja curada definitivamente; muita alegria e amor; que encontre o seu caminho, aquele que o fará sentir-se sempre em paz consigo e com o mundo à sua volta.

Perdoe-me por tomar a liberdade de o incluir nas minhas orações. Diga-me se não quiser que eu o faça. Respeitarei, logicamente.

Gostaria de voltar a ter notícias suas bem como novas visitas aos meus blogs. Seria um prazer.

Um abraço sempre disponível para todos os companheiros da mesma luta,

Abigail Macedo

Anónimo disse...

Abigail,
Ao ler a Sábado de 11 de Dezembro de 2008 (dia de Aniversário do diagnóstico do meu Mieloma Múltiplo) vi uma reportagem MARAVILHOSA com a Abigail. Parabéns. Este apoio aos doentes é fundamental. Como sabe eu, além de doente do IPO Porto, trabalho lá. Quando se refere que o IPO é a sua segunda casa, a mim faz-me muita falta ir para lá todos os dias.
Aproveito para lhe mandar de novo desejo de BOAS FESTAS,
Carlos Oliveira
carlosoliveira_espinho@hotamil.com

Anónimo disse...

Abigail
Boa tarde,
Só agora me apercebi que não lhe respondi à pergunta se podia rezar por mim. Não me faz qualquer confusão. Eu não acredito em Deus, nem em Alá, nem em ...., porque se ELE existisse eu podia apanhar com uma doença destas, mas as crianças que se estão lá a tratar, não. Não acredito num Deus que provoque sofrimento a crianças. Por isso acredito no Universo e nas pessoas. Respeito todas as religiões.
Um grande beijo,
Carlos